“Perdoa nossas dívidas, assim como nós perdoamos os nosso
devedores” [Mt 6.12]
Esse ponto da oração talvez seja um dos mais sensíveis,
especialmente ao tocar no coração, naquele orgulho que por vezes conduz o homem
a uma atitude ausente de graça, como se tal pessoa merecesse alguma coisa da
parte do Senhor.
O primeiro ensino dessa petição é a súplica pela graça do
Senhor Jesus. Suplicar por perdão é a condição de alguém que tem consciência dos
seus pecados e que, arrependido, pede perdão. Mas alguém merece o perdão do
Deus Pai? Os pecados ferem a santidade e honra de Deus o tempo todo. Da menor à
maior ofensa, ela sempre representará rebeldia para com o Criador.
Mas a graça de Deus está presente e permeia o relacionamento
do Deus santo com seus filhos. A graça é o tributo perfeito do Deus que perdoa,
mesmo sem o ofensor merecer. Como disse Davi: “sacrifícios agradáveis a Deus
são o espírito quebrantado; coração arrependido e contrito, não o desprezará, ó
Deus” [Sl 51.17]. Deus não esconde seu rosto diante de uma coração arrependido,
pelo contrário, ouve e perdoa.
A condição do perdão, embora seja fruto da graça, acontece
no relacionamento com nosso próximo. Jesus diz, “assim como nós perdoamos os
nosso devedores.” É muito estranho desejar o favor de Deus para perdoar os
pecados e não ter essa mesma atitude para com o próximo. A oração, então, vai
além do receber perdão, destacando alguém que faz daquela graça de Deus uma atitude
presente nos seus relacionamento, alguém que perdoa. Se Deus que tem todos os
motivos para não liberar perdão, perdoa, o que faz de você melhor que Deus para
não perdoar?
Portanto, ter condições de perdoar é uma dádiva de alguém
que desfruta de uma relacionamento de amor e misericórdia com o Deus Pai. Do
contrário, se você recebe perdão de Deus, mas não consegue perdoar o seu
próximo, provavelmente a tese de Tiago seja verdade em sua vida: “fé sem obras
é morta” [Tg 2.26].
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