segunda-feira, 31 de agosto de 2020

"faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu; [Mt 6.10].

Na última devocional vimos mais um ato da oração que o Senhor Jesus ensinou, tratando da seguinte afirmação: "venha o teu reino". Aprendemos que esse ato representa o anseio da igreja pelo retorno de Cristo para trazer redenção final, e que, consequentemente, trará juízo contra os inimigos da cruz. Hoje veremos mais um parte: "faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu; [Mt 6.10]."

O primeiro ensino nos remete ao princípio fundamental da oração que é a primazia da vontade de Deus. Quão valiosa essa verdade é para nós do século XXI. Dias em que a grande maioria das pessoas estão servidas de tudo o que querem. Mas quando nos submetemos à oração, não se trata mais da minha vontade, mas a de Deus. E Jesus nos ensina, não apenas aqui, mas mostra em sua vida quando, mesmo sabendo da profecia de que "ao SENHOR agradou esmagá-lo, fazendo-o sofrer" [Is 53.10], pediu ao Pai que o livrasse da cruz. E como sabemos, a sua vontade não foi concretizada, mas a do Deus Pai. 

A oração ainda diz que essa vontade deve ser concretiza na terra, tal como é no céu. E o que acontece no céu? Não sabemos muita coisa, contudo, temos certeza de que lá não há pecado, e que os anjos adoram ao Senhor ininterruptamente. Esse deveria ser o nosso maior anseio, isto é, adorar a Deus por toda a vida, e não ter a presença do pecado. Por isso a petição "venha o teu reino" é tão especial, pois só assim desfrutaremos da plenitude de Deus!

Portanto, aquele que pertence ao Senhor, submete-se à vontade de Deus na oração, afirmando: "faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu". Pois, sobretudo, sabe que a vontade de Deus sempre será boa, agradável e perfeita [Rm 12.2]. 



 







segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Em face da idolatria

Estamos cercados pela idolatria! Isso é óbvio, principalmente para o cristão, que tem consciência do tipo de idolatria mais básica, que são as imagens e esculturas de “santos e demônios”, e da idolatria em essência, aquela que não se expressa necessariamente de forma externa, mas que está presente no coração. Diante de tal realidade, como o cristão tem reagido?

O cristão, de modo geral, entendeu que é natural viver num contexto cercado de idolatria. Aplicaram a idolatriximina no cristão, a vacina que produz imunidade contra o vírus da idolatria, dando-lhe a oportunidade de desfrutar do mundo infectado sem sofrer danos. Mas até que ponto podemos pensar assim? Qual o problema? O problema está em apenas lembrarmos que a Escritura fala de um único Deus, criador de tudo, o que nos leva a refletir se é mesmo normal o cristão ver com naturalidade tamanha idolatria. O cenário parece mostrar que a afirmativa é verdadeira.

A atitude de Paulo quando esteve em Atenas, todavia, parece diferente. Seu espírito se revoltava em face da idolatria. E não era sem razão, pois a idolatria representa a ofensa mais vil, o adultério, mesmo os atenienses não tendo o conhecimento essencial da fé em Cristo. Sendo assim, o que aprendemos com Paulo?

Aprendemos que a realidade da idolatria não deve impedir nossa revolta. Não se trata de uma revolta por ela mesmo, mas uma atitude contra o pecado somada a uma atitude de amor a Deus e aos perdidos na idolatria. O crente deve comunicar a verdade de que “só o SENHOR é Deus”, e que a salvação vem por meio da fé em Cristo, tal como Paulo notificou os areopagitas que se arrependessem. O falso deus precisa ser destronado da vida do homem, e Paulo sabia bem que era através da pregação da Palavra. Portanto, em face da idolatria, não se cale, fale de Cristo!
Aprendemos ainda, por inferência, que a aplicação a nós mesmos é válida. Calvino há muito tempo disse que o coração do homem é uma fábrica de ídolos, inclusive na vida do cristão. Por isso, a Palavra de Deus serve também como a poderosa arma para destronar aquele deus que porventura deseje reinar. Dessa forma, o cristão deve ouvir a Palavra de Deus, e pregar para si mesmo constantemente, a fim de que o Espírito atue mais e mais, transformando-o à imagem do nosso Salvador.

Portanto, em face da idolatria no mundo e em nós mesmos, não seja acomodado, ame a Deus, ame ao próximo, por meio do ouvir e estudar a Palavra, e não se conforme com a realidade que te cerca, pois só existe um único Deus e a Ele é devida toda glória!

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

A igreja não preisa de uma grande pastor, ela precisa de uma grande Salvador

O que a Igreja Cristã do século XXI precisa? Certamente, essa é uma pergunta muito ampla que abriria oportunidade para muitas opiniões. Todavia, é uma pergunta que demanda uma resposta simples, se formos objetivos em nossa avaliação. 

A igreja precisa de pregação bíblica e expositiva? Sem dúvidas essa é uma das necessidades. A Igreja precisa de bons pastores que se afadiguem no estudo da Palavra a fim de oferecerem alimento sólido às ovelhas do supremo Pastor. Paulo, quando orientando Timóteo, enfatizou que a Palavra deveria ser pregada em todo tempo.

A igreja precisa de comunhão? Essa talvez seja uma das bandeiras mais levantadas, quando se trata das necessidades da Igreja. Paulo, em suas cartas, enfatiza também a necessidade de a Igreja estar em comunhão, a fim de resistirem às lutas, testemunharem o evangelho de Cristo e, por ser a comunhão uma característica natural dos crentes.

Aqui foram postos apenas duas necessidade, no entanto, há muitas outras. Porém, a necessidade da igreja, como supracitado, pode ser colocado de forma objetiva, se concordarmos que a igreja precisa, realmente, conhecer o seu Salvador cada dia mais.

As questões pontuais são necessidades verdadeiras da igreja, mas todas elas convergem na pessoa de Cristo. Será o conhecimento que tivermos dele que fará com que as demais coisas fluam na igreja. Entretanto, falamos aqui do conhecimento prático, e não apenas teórico, de forma que as atitudes expressem que amamos Jesus, obedecendo os seus mandamentos (Jo 14.21). Esse é o tipo de experiência que a Igreja precisa vivenciar.

A declaração de Paulo expõe a nós um pouco dos efeitos desse conhecimento, disse ele: "o que para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo" (Fp 3.7-8). Assim, Paulo declara o que o conhecimento do seu Salvador causou na sua vida.

Essa, portanto, é a necessidade da Igreja, que conheça a Jesus Cristo mais e mais. Daí, podemos tratar das questões práticas, direcionando-as ao propósito ideal, que é conhecer mais a Jesus.




Por que ler a bíblia

Por que ler a Bíblia?

Ouvir de um pastor que devemos ler a Bíblia parece que se tornou um clichê. Alguns ainda têm um senso de consciência dessa verdade, outros, contudo, e tememos que talvez a maioria, já não dão muito valor, veem tais palavras como aquela propaganda repetitiva, dos tempos em que a televisão era o entretenimento da época.

Mas por que ler a Bíblia? Se fizéssemos uma enquete da importância de lê-la, todos, assim cremos, responderiam que sim, é importante. O problema é que temos uma ideia meramente teórica dessa verdade, a prática, como se diz no popular, é outra coisa.

Poderíamos listar aqui diversos motivos, mas cremos que este seja fundamental: aprender a servir/obedecer a Deus. Se o cristão lesse mais a Bíblia, sofreria menos, até mesmo nos dias difíceis; evitaria mais problemas nos relacionamentos; evitaria muitos pecados; teria uma consciência mais real de si mesmo; desenvolveria uma atitude mais humilde; cresceria em sabedoria; e tantos outros benefícios. Contudo, o benefício fundamental é que alcançaremos aos poucos o objetivo do próprio Deus par a nós, que é nos tornar a semelhança do seu Filho (2Co 3.18).

Entretanto, considere o fato de que é Deus quem está te moldando à imagem de Cristo, assim, devemos retornar ao que nos cabe. Por que ler a Bíblia? Porque o Senhor quer que sejamos santos, assim como Ele é! Deus não falhará com seus propósitos, ele está te santificando, apesar de você, pois diz a Escritura: "santifica-os na verdade; a tua Palavra é a verdade" (Jo 17.17). Ou seja, Deus fará. Quanto a você, quer desfrutar dessa obra de modo especial todos os dias? Então leia a Bíblia!

Diante disso, nossa expectativa é que essas poucas palavras te influenciem a tomar sua Bíblia e lê-la, todos os dias. E para seu auxílio, aqui vai algumas orientações: antes de ler, ore. Peça a Deus que fale ao seu coração através da sua leitura, pois a Bíblia é viva. Após, abra e leia aquilo que você definiu. Leia para entender, e não como mero hábito; leia com atenção, gaste tempo refletindo, e após, ore de novo, pedido que sua leitura produza frutos na vida diária. E lembre-se, você não precisa sentir alguma coisa para saber que Deus falou ao seu coração, pois Deus é claro naquilo que quer transmitir. Leia, compreenda e pratique pela fé.






Texto de apresentaçãao

Minhas Palavras, esse é o nome do meu depósito de palavras. Sendo esse o título do blog, pretendo com essas minhas palavras iniciais falar sobre minhas palavras, sobre o conteúdo do qual pretendo escrever, aquilo que mais me chama atenção na minha vida de estudante de teologia, e as aplicações de que faço de tudo que venho aprendendo.


Minhas Palavras podem ser um desabafo, ou um contágio de alegria, ou simples palavras que me agradaram a escrever em determinado tempo. Mas, acima de tudo, apesar de serem muitas vezes palavras pessoais, terão seu fundamento naquilo que creio e confesso, isto é, as Escrituras como revelação divina e a glória de Deus na vida prática.

Sempre meu intento é perceber como posso aplicar em toda minha vida aquilo que tenho aprendido, intento que não é simples, pois em todo esse empenho está envolvido uma complexidade de atitudes que não se resumem em agir corretamente, ainda que esta seja parte integrante, mas lidar com as várias situações paradoxais do cristianismo.

Aqui também quero publicar minhas interpretações dos livros que leio. Essa será uma atividade que me dará muito resultado para meu desenvolvimento acadêmico. No entanto, como proponho no título, essas serão "minhas palavras", posso abrir a excessão de fazer uso devido de algum escrito de outro, mas, acima de tudo quero propor aqui minhas palavras, o que não se resume em palavras frias, sem gosto, não temperadas pelo sal, mas palavras expressas de um coração de um pecador transformado pela graça abundante de Cristo que luta nas forças do seu Salvador. 




"Pai noss que estás nos céus"

A chamada oração do Pai nosso é conhecida quase que universalmente. As pessoas recitam-na em momentos de agradecimento, de tristeza, numa liturgia, enfim, fato é que muitos conhecem. Contudo, as riquezas contidas nesse ensino [Jesus estava ensinando aos seus discípulos como orar] podem nos enriquecer muito quando atentamos a cada parte dela. Na devocional de hoje veremos a primeira parte - Pai nosso, que estás nos céus...

Jesus ensina seus discípulos a chamarem Deus de Pai. Em nossos dias talvez não cause estranhamento, mas para o contexto religioso da época era uma quebra de paradigma. Nenhum judeu e direcionava a Deus chamando-o de Pai, era uma falta de respeito, pois eles tinham consciência de que são meros humanos e Deus é o grande soberano, que está nos céus. Jesus, porém, mostra a nova relação que ele veio instituir entre Deus e seus servos, uma relação de Pai e filhos. 

Agora o homem está em grau maior de intimidade com Deus. A filiação evidente nessa relação torna o afeto mais intenso, diferente daquela relação entre um deus irado e seus súditos sempre amedrontados. Amor, graça, cuidado, disciplina para crescimento e tantos outros aspectos estão presentes numa relação entre pai e filho. O Pai ama o filho, e se isso é verdade entre humanos imperfeitos, imagine tendo agora um Pai que é perfeito em tudo? Além disso, é o Pai que estás nos céus, o Deus soberano, Criador de tudo. 

Contudo, essa dádiva não pertence a todos. Ser filho de Deus está dependente disso: "a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome [Jesus]; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. [Jo 1.12-13]" Ter Deus como Pai é crer em Jesus como Salvador, fora dessa realidade Deus não é seu Pai. Por isso, não faz muito sentido orar o Pai nosso sem crer em Jesus, é na verdade uma mera recitação, sem expressão da verdade. Mas quando temos Jesus como Salvador podemos nos agarrar a essa verdade, Deus é meu Pai!

Essa é a primeira lição que tiramos, ser filho de Deus depende de crer em Jesus como salvador. Jesus é o único mediador entre Deus e os homens, ele é o único meio de tornar alguém em filho, tal como ele é, e assim receber a herança que está prometida, a vida eterna [Jo 6.40]!







Santificado seja o teu nome

Em nossa última devocional, falamos sobre a primeira afirmação da oração do "Pai nosso", e vimos que Jesus quebrou o paradigma sobre como orar, ensinando a seus discípulos que chamassem Deus de pai. Além disso, vimos que esse não é um privilégio de todos, mas apenas daqueles que depositaram sua fé em Jesus como Salvador. E hoje veremos o segunda ato: "Santificado seja o teu nome;" [Mt 6.9b).

Deus é santo! Essa afirmação está em toda a Bíblia [Lv 11.45 1Pe 1.16], e é assim que Deus quer que o vejamos. Mas como pediremos que o nome dele seja santo? De fato, nós não tornaremos o nome de Deus mais santo, ele é perfeitamente santo. Contudo, considere que, santificar o nome de Deus, diz mais repeito sobre o que você faz do que sobre o que ele é.

O ensino dessa ato é que em sua vida, seu testemunho, esse atributo seja revelado. Significa reverenciar a Deus, honrá-lo, glorificá-lo e exaltá-lo. E isso só é possível através de uma vida de santidade. O primeiro passo para essa tarefa da oração é conhecer a Deus através da conversão, pois do contrário, o homem ainda estará em rebelião contra Deus, por causa do pecado, e por isso não terá nenhum desejo de santificar o nome dele.

Esse segundo ato da oração está ligado ao ser filho. Somente o filho quer agradar seu Pai, eles estão numa relação familiar. Ao contrário do cristão, o ímpio não tem nenhuma vontade nesse sentido. Somente os que são filhos podem ouvir com prazer o mandamento de ser santo como Deus, o Pai, é santo [1Pe 1.16].

Muito além de palavras, santificar o nome de Deus é uma questão de vida. Portanto, todas as vezes que orarmos, lembremos de que é o nosso viver diário que revelará o quanto nosso Pai é santo segundo aquilo que cremos.





"Venha o teu reino"

Na última devocional, aprendemos que santificar o nome de Deus, o Pai, está ligado ao nosso testemunho, à vida que levamos, enquanto confessantes da fé em Jesus, fé essa que nos torna filhos de Deus, desejosos em agradá-lo. Hoje, seguiremos para o terceiro ato da oração, que diz: “venha o teu reino” [Mt 6.10].


Essa pequena expressão está cheia de teologia. À grosso modo, podemos dizer que essa expressão carrega a expectativa do Antigo Testamento, que se completa no Novo, em Cristo, com o reinado do Messias [veja Lc 11.20]. Mas se Jesus já veio como cumprimento dessa promessa, por que pedir, venha o teu reino… É então que nos deparamos com a expressão: “o já, e o ainda não.”


O reino de Deus já veio, mas ainda não. Parece estranho, mas essa é uma expressão teológica consolidada. Ou seja, os cristãos já desfrutam do reinado de Cristo e sabem que Ele reina [veja Hb 2.8-9]. Mas esse reino estará de uma vez por todas completo quando Cristo vier em glória e restaurar toda a criação para o estado de perfeição, um novo mundo sem pecado. E essa é a expectativa do pedido, venha o teu reino!


Todo cristão, assim, tem grande alegria em repetir as palavras dessa oração, certos de que Jesus Cristo trará a restauração de todas as coisas, e a aniquilação do pecado. Por outro lado, a vinda reino trará justiça, pois todos os  inimigos de Cristo serão destruídos. Dessa forma, quando o ímpio diz “venha o teu reino” pede que Deus traga logo o dia da condenação, o juízo final. Por isso, não faz sentido está fora de Cristo, isto é, não crer em Jesus como salvador, e orar “o Pai nosso.” 


Contudo, a boa notícia é que isso pode mudar! Em Cristo há perdão! As palavras do Salvador continuam a ressoar, dizendo: “todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim, e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora” [Jo 6.37]. Portanto, há oportunidade para você orar conscientemente o terceiro ato: “venha o teu reino,” e então, desfrutar hoje, e na eternidade, a companhia de Cristo!   

Salmo 1 - Uma reflexão

À algum tempo tenho meditado no Salmo 1 e tem sido uma experiência desafiadora. A partir do momento que compreendi que esse salmo não ensina...