quarta-feira, 14 de outubro de 2020

E não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal [Mt 6.13]

E não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal [Mt 6.13]

Nesta petição da oração do Pai nosso, vemos a atitude de uma coração piedoso que não tem prazer em pecar contra o Deus Pai e que, por isso, pede livramento para não cair no pecado da tentação.

A primeira verdade expressa na oração é a confiança no Senhor para guardar seus filhos. Cair na tentação é se entregar aos desejos do coração enganoso, que conduz o homem a caminhos que, aos seus olhos, parecem caminhos de vida, mas que na verdade são caminhos de morte. Como diz o pregador, esse é o convite da mulher (representando a loucura) “as águas roubadas são doce e o pão comido às escondidas é agradável” [Pv 9.17], os filhos de Deus oram para serem guardados desses convites malignos.

Esse pedido é contrastado com o pedido de livramento. Não deixar cair, portanto, é livrar o cristão do mal. Esse mal, conforme seu significado na língua grega, diz respeito a pecados de ordem moral, perversa, que representam uma afronta à santidade do Deus pai.

A consciência de alguém que sabe da realidade do pecado, que tenazmente o assedia, recorre ao Deus Pai por socorro. Significa então o reconhecimento da sua fraqueza para resistir por suas próprias forças às investidas de um coração enganoso, do sistema desse mundo e de Satanás.

Como vimos na última devocional, Deus é gracioso, libera perdão gratuitamente àqueles que se apresentam arrependidos. Ao mesmo tempo, ele é quem sustentará seus filhos na caminhada da vida cristã, guardando-os do mal. Na oração do Pai nosso, portanto, temos abundante graça para viver de modo digno do evangelho.

e perdoa-nos as nossas d´ividas, assim como nos temos perdoado aos nossos devedores. [Mt 6.12]

“Perdoa nossas dívidas, assim como nós perdoamos os nosso devedores” [Mt 6.12]

Esse ponto da oração talvez seja um dos mais sensíveis, especialmente ao tocar no coração, naquele orgulho que por vezes conduz o homem a uma atitude ausente de graça, como se tal pessoa merecesse alguma coisa da parte do Senhor.

O primeiro ensino dessa petição é a súplica pela graça do Senhor Jesus. Suplicar por perdão é a condição de alguém que tem consciência dos seus pecados e que, arrependido, pede perdão. Mas alguém merece o perdão do Deus Pai? Os pecados ferem a santidade e honra de Deus o tempo todo. Da menor à maior ofensa, ela sempre representará rebeldia para com o Criador.

Mas a graça de Deus está presente e permeia o relacionamento do Deus santo com seus filhos. A graça é o tributo perfeito do Deus que perdoa, mesmo sem o ofensor merecer. Como disse Davi: “sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração arrependido e contrito, não o desprezará, ó Deus” [Sl 51.17]. Deus não esconde seu rosto diante de uma coração arrependido, pelo contrário, ouve e perdoa.

A condição do perdão, embora seja fruto da graça, acontece no relacionamento com nosso próximo. Jesus diz, “assim como nós perdoamos os nosso devedores.” É muito estranho desejar o favor de Deus para perdoar os pecados e não ter essa mesma atitude para com o próximo. A oração, então, vai além do receber perdão, destacando alguém que faz daquela graça de Deus uma atitude presente nos seus relacionamento, alguém que perdoa. Se Deus que tem todos os motivos para não liberar perdão, perdoa, o que faz de você melhor que Deus para não perdoar?

Portanto, ter condições de perdoar é uma dádiva de alguém que desfruta de uma relacionamento de amor e misericórdia com o Deus Pai. Do contrário, se você recebe perdão de Deus, mas não consegue perdoar o seu próximo, provavelmente a tese de Tiago seja verdade em sua vida: “fé sem obras é morta”  [Tg 2.26].      

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