sábado, 24 de outubro de 2020
quarta-feira, 14 de outubro de 2020
E não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal [Mt 6.13]
E não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal [Mt 6.13]
Nesta petição da oração do Pai nosso, vemos a atitude de uma
coração piedoso que não tem prazer em pecar contra o Deus Pai e que, por isso,
pede livramento para não cair no pecado da tentação.
A primeira verdade expressa na oração é a confiança no
Senhor para guardar seus filhos. Cair na tentação é se entregar aos desejos do
coração enganoso, que conduz o homem a caminhos que, aos seus olhos, parecem
caminhos de vida, mas que na verdade são caminhos de morte. Como diz o pregador,
esse é o convite da mulher (representando a loucura) “as águas roubadas são
doce e o pão comido às escondidas é agradável” [Pv 9.17], os filhos de Deus
oram para serem guardados desses convites malignos.
Esse pedido é contrastado com o pedido de livramento. Não
deixar cair, portanto, é livrar o cristão do mal. Esse mal, conforme seu
significado na língua grega, diz respeito a pecados de ordem moral, perversa, que
representam uma afronta à santidade do Deus pai.
A consciência de alguém que sabe da realidade do pecado, que
tenazmente o assedia, recorre ao Deus Pai por socorro. Significa então o
reconhecimento da sua fraqueza para resistir por suas próprias forças às
investidas de um coração enganoso, do sistema desse mundo e de Satanás.
Como vimos na última devocional, Deus é gracioso, libera
perdão gratuitamente àqueles que se apresentam arrependidos. Ao mesmo tempo,
ele é quem sustentará seus filhos na caminhada da vida cristã, guardando-os do
mal. Na oração do Pai nosso, portanto, temos abundante graça para viver de modo
digno do evangelho.
e perdoa-nos as nossas d´ividas, assim como nos temos perdoado aos nossos devedores. [Mt 6.12]
“Perdoa nossas dívidas, assim como nós perdoamos os nosso
devedores” [Mt 6.12]
Esse ponto da oração talvez seja um dos mais sensíveis,
especialmente ao tocar no coração, naquele orgulho que por vezes conduz o homem
a uma atitude ausente de graça, como se tal pessoa merecesse alguma coisa da
parte do Senhor.
O primeiro ensino dessa petição é a súplica pela graça do
Senhor Jesus. Suplicar por perdão é a condição de alguém que tem consciência dos
seus pecados e que, arrependido, pede perdão. Mas alguém merece o perdão do
Deus Pai? Os pecados ferem a santidade e honra de Deus o tempo todo. Da menor à
maior ofensa, ela sempre representará rebeldia para com o Criador.
Mas a graça de Deus está presente e permeia o relacionamento
do Deus santo com seus filhos. A graça é o tributo perfeito do Deus que perdoa,
mesmo sem o ofensor merecer. Como disse Davi: “sacrifícios agradáveis a Deus
são o espírito quebrantado; coração arrependido e contrito, não o desprezará, ó
Deus” [Sl 51.17]. Deus não esconde seu rosto diante de uma coração arrependido,
pelo contrário, ouve e perdoa.
A condição do perdão, embora seja fruto da graça, acontece
no relacionamento com nosso próximo. Jesus diz, “assim como nós perdoamos os
nosso devedores.” É muito estranho desejar o favor de Deus para perdoar os
pecados e não ter essa mesma atitude para com o próximo. A oração, então, vai
além do receber perdão, destacando alguém que faz daquela graça de Deus uma atitude
presente nos seus relacionamento, alguém que perdoa. Se Deus que tem todos os
motivos para não liberar perdão, perdoa, o que faz de você melhor que Deus para
não perdoar?
Portanto, ter condições de perdoar é uma dádiva de alguém
que desfruta de uma relacionamento de amor e misericórdia com o Deus Pai. Do
contrário, se você recebe perdão de Deus, mas não consegue perdoar o seu
próximo, provavelmente a tese de Tiago seja verdade em sua vida: “fé sem obras
é morta” [Tg 2.26].
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